segunda-feira, 4 de junho de 2018

Germina

Vou até o quarto deles
Fofo os travaiseiros
AbraÇo contra o peito
A noite a germinar
Os lábios tocam o escuro
E o vento rodopia
Gasolina vai subir de preço
Parece que já não temos endereÇo
Entao talvez eu volte a te encontrar
Certo é que eles irão germinar
Eu deito a cabeÇa nos travesseiros
Nunca tive medo
E esse quarto pequeno
É tao quente
Nesse mundo obscuro de apegos
A boca e o peito a terra estou a deitar
Não há detritos orgânicos
Só uma bomba de sementes
A germinar

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Saudade do tempo vestido de hippie
Que eram soltos como vento
Da leitora da biblioteca municipal
Que nao tinha desassossego nas suas estórias
Faz falta o outrora em que havia tanta ausencia
Da complexidade do mundo adulto moderno
A gente se depara com a ansiedade de ser uma maquina humanamente defasada
Entao quando o corpo precisa desacelerar, a mente sofre
E esse rio flui também às avessas
E a gente padece nos tempos globalizado
Dessa esquisitisse
ansiosa mundial
A estafa da poesia cotidiana
Subtração da humanidade nesse tempo roubado
E a lua minguante se ri de nós
Nessas horas da noite televisionada

Lua minguante

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Hoje acordei o dia nao estava vermelho
Nem os sonhos cor de rosa
Mas eu acordei bem
Nao que pensasse em meu bem
Sonhei com uma mulher crescendo
Num tempo moderno
Onde tudo eram acessos
Nao havia ricos so tupiniquins
E nenhum curumim passava fome
Tudo era jardim
Acordei longe do tempo em que mulher sofria agressao do marido ou do patrao
É que ja nasci distante do meu tempo
Dentro de mim
Quantos carcaras sobrevoam a estrada
Nos seus beirais as flores do sertao desfilam acenando thau Em cachos as familias descem os morros E os que se despedem apreensivos do sertao de dentro
Parecem as carnaubas sonolotentas com a noite de despedida das casas antigas Vao-se embora de Oeiras e o coraÇao arreia A mesa ficou posta A cidade acorda A meninada ja bate bola É domingo de Pascoa
Os sinos repicam pela ressurreiÇao de Cristo
No fim da estrada a cidade grande te espera no restaurante com um ovo de Pascoa
Roi unha, desejei um trago, mas com o coração apavorado, deitei de lado, com um menino gerado



Na alma

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

o que queres ser quando crescer?
 feliz.
e o que te faz feliz?
 liberdade.
Flor selvagem,
Enquanto isso orvalhas tuas prisões
ser podada e arrancada
 em teu lugar crescer outra flor estrangeira
em um jardim sem chuva pelo chão
sobreviver é um desafio no sertão.
Cheiro de chuva
 A terra se mistura com água
 para esse cheiro liberar
aroma de chuva no ar
fim de ciclo
tempo de planejar
vai colher quem plantar
salve o que a terra proverá.