terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Novidade

Novidade é moda,
Sonhar cidades imaginárias
E cousas admiráveis,
Sentir o novo!
Mas não há sabor igual,
Ao meu e o teu,
Encanta-te com pessoas novas
E com as velhas também,
Mas nenhuma delas te ama como eu.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Eu, meu pai.

Pai preciso escrever-te,
Eu te enxerguei:
Fizeste tuas escolhas,
Escolheste causas,
Cometeste teus crimes
Foste por caminhos,
Sem saber ao certo onde daria
Até tuas mãos de cirurgião
Pararem numa mesa de cirurgia
Querido pai, apagou de repente!
Não levantaste mais Hailton,
Fim dos sonhos do homem.
Prescreveste em papel do teu cigarro,
Corrias pras biqueiras das chuvas,
Lia ao amanhecer.
Meu querido pai, imortal em mim,
Que fiz parte do teu caminho
Andando com minhas próprias pernas,
Hoje, acordei amando-te mais ternamente,
Vi o homem além do pai,
E os sonhos além tempo, vida e morte.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

novembro

Sou eu a ladra de mim mesma
Ou tua espada me mutilou?
É teu ópio o passado
Ou o meu a culpa?
Quem sabe o que nos deixou...
Um cheiro de aurora regada a hálito de café
Um vento sacudindo as moçaendras
Teu gemido velado
Lençóis revirados
Um gosto amargo
Um leve passado.
Sou eu a ladra de mim mesma?
Ou tu escondes o bálsamo?
Clitóris castrado
O semêm congelado
Meu útero inflamado
A língua que não desliza, fere.
Sou eu a ladra de mim mesma
Quando arranco de mim um pedaço
Pra seguir outro caminho em que também haverá tropeços?
Ou é tu o juiz que me aprisiona sobre a acusação da culpa e do abandono?
Sou eu a ladra de mim mesma?
Que colho flores na solidão e enlouqueço de saudade
Ou tu que não suportas a ausência de um pedaço de mim?
Roube-me, por favor,
Mas não mate.
Não sei viver sem amor.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ao deus que separa e une os amantes...


Os homens brigaram com o tempo e achando-se donos da razão inventaram o relógio. Queriam prender-lo sem perceber que a ele não se prende nem se controla em horas, minutos, segundos até mesmo meses ou anos... O tempo na sua sabedoria transformou então a artimanha humana em sua própria armadilha. O homem tornou-se refém do relógio! E o deus tempo continua livre por aí abençoando os alegres, os que sofrem, a arte e embalando os que amam!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Eu sou pássaro
Tu também
De manhã voamos

De noite voltamos.
O que passou
Penas caídas
O que tem aqui,
Presente!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A metade part-ida de mim

Aprendi com a vida
Que não posso odiar
Uma parte de mim...
E tu como metade de mim
Permanecia dentro do amor
Silêncioso, tranquilo
Em outra metade impulsivo e apaixonado
Mas sem a angústia da perda
Pois me eras como parte não como braço, nariz...
Mas genética!
Assim não poderia odiá-lo
Já que não poderia perdê-la.

domingo, 12 de outubro de 2008

Hoje e as cores

Hoje, acordei menos poeta mais cronista, talvez por influência do Rubem Alves, lembrei-me também do Rogério Newton e de um amigo ausente que me traz muitas saudades, figuras que sempre me lembram algo como flores, pois bem, hoje, eu acordei diferente, lembro de outros tempos em que me senti assim, tempos que sofri muito e senti uma grande paz começar a entrar em mim, não invadir, mas entrar suavemente, tranqüila, como que amanhecendo... Hoje parece um dia assim meus olhos internos estavam mais aguçados, como sou uma pessoa que acredita na oração procurei meditar e rezar, os meus olhos me levaram pra sacada me guiavam pra vista da pracinha que é tão florida e ao longe se pode ver as tantas borboletas voando! Depois das minhas orações lá fui eu ainda em estado meditativo, má fotógrafa que sou sob a luz tão evidente da manha fotografar! Cada foto de flor que fazia era uma de mim, são fases da vida... Pequeninas lilases, moçaendras exuberantes, vermelhas com frutinhos, rosas singelas e frágeis, amarelas suaves... Em cachos ou pendendo só! Negros besouros reluzindo! E as borboletas! Ah como são inquietas, às vezes só, às vezes aos pares, difícil se aproximar delas, é como gente que está pra nascer de novo...

Notei a falta da cor branca... lembrei-me que em casa tenho uma roseira-menina de flor branca. Um jardim! E os meus olhos internos não sei por que me levavam a pensar na saúde: as cores, as borboletas, as flores, a transformação, a vida! Talvez por que meus olhos já tenham visto muita coisa ou talvez por que minha vista seja simples mesmo, só sei que as minhas orações pela manhã foram pra agradecer... Saúde!

Mesmo nas tormentas e atribulações, de manhã ao acordar haver uma mesa farta de dor meus olhos percorrem-na e leva meu ser a passar um cafezinho simples e fazer um banquete de orações e cores, na fé da transformação! A ter gratidão a esses olhos interno que chamo de Deus e que me mantêm com saúde!

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Por mais longas que sejam as colinas
Que tenho a escalar ou a queda do pico
Ou do meio dos caminhos
Eu não terei medo
A minha casa é meu coração
E não regras que criaram para mim,
Eu não terei medo
Nem dos jogos, nem do tempo...
Ou de deixar a casa pra traz
Por que moro em ti, meu coração,
E aí minha vida pulsa...
E percorre todos os lugares.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Tríade da esperança

É dom ser humano.

É dom ser divino,

Mesmo quando crimes são cometidos

É próprio milagre

A escolha, a consumação, a transformação.

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Não, não creio no deus que castiga,

Minha fé voa além

Igrejas, museus ou mausoléus.

Não creio em infernos ou merecidos céus

Já que me parece o purgatório ser por aqui mesmo,

A constante falta de amor,

O abandono do outro.

Não creio a reencarnação

Uma vida de pagamento,

Se há por todo sempre partículas de toda vida pelo ar,

Se as maiores atrocidades cometidas foram sós

Não creio em paraísos longínquos, antigos,

Enquanto abro os olhos e vejo arte.

E se há dias de escuridão

E não puder sentir a presença divina

Então sim, sim já não estarei apenas morta,

Mas no inferno.

##

De tantos medos que tive

Coração acelerado, suor frio, a fuga...

Já não tenho mais

Nem de o sol sair detrás da nuvem

Nem da morte

Resigno-me aos mistérios

Não como quem perde a luta

Mas aceita a vida.

E amo, amo, amo...

Amo tão completamente

Como só um ser apaixonado é capaz de amar.

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Sem reservas pra ti sou eu,

Se tempestade tenho, não são só minhas

Deságuo na noite o desespero, em sangue que me cobre,

Acordo-te em teus sonhos, mesmo longe,

Pois que é a lua minha mensageira,

E sou irmã dos astros

E de toda natureza que se revela em teu SER,

Sou eu também,

Hoje longes estais e eu no escuro

Mergulho nessa noite

Bato as asas na distância

Pra te reencontrar

E te desejar esperanças na boa noite.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A comunidade tem dores e com-paixão,
Gente dizendo sim e dizendo não
À vida, ao direto de ser e ter saúde.
Tem gente que vive só de esperança
Que chora pra comer
Tem um povo que luta com medo de perder,
Um filho de hanseníase, um amor de desespero,
Tem gente que luta por melhorias, levanta casa de taipa
Ou de tijolo, associação e igreja,
Pra se sentir mais gente,
Pra gerar mais vida.
Tem gente que pede sem saber que tem direito
Sorri apático com medo de não poder ser gente,
Tem profissional da saúde rasgando
O véu, desmistificando que já não é mais o salva-dor.
E entra na roda pra dançar com a comun-idade
Construindo igualdade de gente.
Tem gente atrás das portas
Com medo de doença
Mas tem mais gente querendo ser gente, lutando!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

As borboletas de minha casa

As flores viraram borboletas,

Sentimentos aos pedaços que voam.

As borboletas voam!

Dentro de mim, na noite.

O escuro é a ausência, tua pele, meus medos,

Meus dedos correndo em mim nua,

O vôo,

Meus mundos mudando de cor,

Esperança e dor batendo asas,

E elas voam,

Inquietas pela casa,

Emergem dançando na superfície dos meus olhos,

Serenas cores cálidas e suaves

E sinto-as também voltando

Vivendo e amando

Você, você, você, veja há borboletas!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

fim do velho amor

Esse tempo que não passa

É dor que não sara

É saudade que não acaba

E ele não volta

Já mostrei meus jardins

Já me virei em borboletas,

Mas ele não enxergou em mim

O que há de novo,

Só vê ruínas

No seu peito,

E eu digo:

Há perdão,

Mas ele não se perdoou

E isso nos envenena

É essa é a distância

Que o separou do mundo?

Ele parece confuso

E não enxerga as borboletas do nosso jardim,

Enquanto eu quero que elas nos carregue

Por que é pesado sem ele.

E pra ele sem mim.

Eu sei, nós dois ainda temos graça,

Por que não continuar na valsa?