terça-feira, 30 de setembro de 2008

Tríade da esperança

É dom ser humano.

É dom ser divino,

Mesmo quando crimes são cometidos

É próprio milagre

A escolha, a consumação, a transformação.

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Não, não creio no deus que castiga,

Minha fé voa além

Igrejas, museus ou mausoléus.

Não creio em infernos ou merecidos céus

Já que me parece o purgatório ser por aqui mesmo,

A constante falta de amor,

O abandono do outro.

Não creio a reencarnação

Uma vida de pagamento,

Se há por todo sempre partículas de toda vida pelo ar,

Se as maiores atrocidades cometidas foram sós

Não creio em paraísos longínquos, antigos,

Enquanto abro os olhos e vejo arte.

E se há dias de escuridão

E não puder sentir a presença divina

Então sim, sim já não estarei apenas morta,

Mas no inferno.

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De tantos medos que tive

Coração acelerado, suor frio, a fuga...

Já não tenho mais

Nem de o sol sair detrás da nuvem

Nem da morte

Resigno-me aos mistérios

Não como quem perde a luta

Mas aceita a vida.

E amo, amo, amo...

Amo tão completamente

Como só um ser apaixonado é capaz de amar.

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Sem reservas pra ti sou eu,

Se tempestade tenho, não são só minhas

Deságuo na noite o desespero, em sangue que me cobre,

Acordo-te em teus sonhos, mesmo longe,

Pois que é a lua minha mensageira,

E sou irmã dos astros

E de toda natureza que se revela em teu SER,

Sou eu também,

Hoje longes estais e eu no escuro

Mergulho nessa noite

Bato as asas na distância

Pra te reencontrar

E te desejar esperanças na boa noite.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A comunidade tem dores e com-paixão,
Gente dizendo sim e dizendo não
À vida, ao direto de ser e ter saúde.
Tem gente que vive só de esperança
Que chora pra comer
Tem um povo que luta com medo de perder,
Um filho de hanseníase, um amor de desespero,
Tem gente que luta por melhorias, levanta casa de taipa
Ou de tijolo, associação e igreja,
Pra se sentir mais gente,
Pra gerar mais vida.
Tem gente que pede sem saber que tem direito
Sorri apático com medo de não poder ser gente,
Tem profissional da saúde rasgando
O véu, desmistificando que já não é mais o salva-dor.
E entra na roda pra dançar com a comun-idade
Construindo igualdade de gente.
Tem gente atrás das portas
Com medo de doença
Mas tem mais gente querendo ser gente, lutando!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

As borboletas de minha casa

As flores viraram borboletas,

Sentimentos aos pedaços que voam.

As borboletas voam!

Dentro de mim, na noite.

O escuro é a ausência, tua pele, meus medos,

Meus dedos correndo em mim nua,

O vôo,

Meus mundos mudando de cor,

Esperança e dor batendo asas,

E elas voam,

Inquietas pela casa,

Emergem dançando na superfície dos meus olhos,

Serenas cores cálidas e suaves

E sinto-as também voltando

Vivendo e amando

Você, você, você, veja há borboletas!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

fim do velho amor

Esse tempo que não passa

É dor que não sara

É saudade que não acaba

E ele não volta

Já mostrei meus jardins

Já me virei em borboletas,

Mas ele não enxergou em mim

O que há de novo,

Só vê ruínas

No seu peito,

E eu digo:

Há perdão,

Mas ele não se perdoou

E isso nos envenena

É essa é a distância

Que o separou do mundo?

Ele parece confuso

E não enxerga as borboletas do nosso jardim,

Enquanto eu quero que elas nos carregue

Por que é pesado sem ele.

E pra ele sem mim.

Eu sei, nós dois ainda temos graça,

Por que não continuar na valsa?