terça-feira, 1 de dezembro de 2009

ame-ba

A minha última evolução

autopoética

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

o mundo não mais assusta
não há medo da torre de marfim
nem acredita-se em castelos de jasmim
se o que a hipocrisia veio castrar
grava-se no peito carmim...

nas ruas tortas
uma casa nua respira
mais que higiênica e sexual
e desfaz-se das ratoeiras
queima um milhão

não ha alma nem só corpo
ter fome e pão sem terço na mão
e o homem que já não chora de inanição
por periferias correndo cinzas pelo chão
acorda com uma terra em construção.

sábado, 7 de novembro de 2009

refletir o capim
de manhã em verde macio
sem temer a foice do homem
refletir um cheiro de pasto ou de flor
nas terras que não foram dos avôs
envergada pelo vento
que com seu sopro
imprimi toda cor

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

absolutamente
ela coleciona absurdos
vive de surtos
demasiadamente
viciada em pó
em tudo
que degenera
e ressurge.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Des-envolvimento


fotografando em máquinas
digitais nossas histórias
esvai-se o cotidiano
descartáveis compartimentados
títulos nexos comprimidos camisinhas
acreditando que não há tempo
paras piegas doçuras de amor
oras, sejamos práticos
pra que o amor fati?
se um auto-móvel me dirigi
por correios eletrônicos
e a carta que compartilharia em partes
já se tornou antiga
Honduras em estado de sítio
era informação que já passou
enquanto uma menina
choraminga um hematoma
ouvindo jazz bem baixinho
lê sabe-se lá o que da ciência
não há com quem compartilhar
a bolsa de gelo nem a indignação

E o mundo é mundo mesmo
que se desconheça a poesia!



Des-envolvimento 2

a música do alvorecer
debruçou-me sobre o desejo
flutuei no aconchego
sensação clandestina de ser
a mulher que soubeste amar no leito
e comer num verso curto
mas, que não sossega com metidas breves
e em pétalas roxas nas coxas
suavizadas em azuis celeste
mas consumida quanto
mais se afasta dela-s.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

luz que entra pela janela
na hora dela
irradiar...

em seu dourado Piauí
um peixe um ipê

todo o improvável
amor fado

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As cartas que não escrevo

são pequenas as entrelinhas do email
nelas não cabem sequer metade dos meus anseios

no papel meio amassado pelo suor das mãos e correios
preenchido linha por linha de letras tremidas
de lágrimassorrisosebeijos

essas cartas que não chegam
des-encontra a presença amiga
e saudades riscada pelos muitos desejos

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


BOLERO

Qué vanidad imaginar
que puedo darte todo, el amor y la dicha,
itinerarios, música, juguetes.
Es cierto que es así:
todo lo mío te lo doy, es cierto,
pero todo lo mío no te basta
como a mí no me basta que me des
todo lo tuyo.

Por eso no seremos nunca
la pareja perfecta, la tarjeta postal,
si no somos capaces de aceptar
que sólo en la aritmética
el dos nace del uno más el uno.

Por ahí un papelito
que solamente dice:

Siempre fuiste mi espejo,
quiero decir que para verme tenía que mirarte.

Y este fragmento:

La lenta máquina del desamor
los engranajes del reflujo
los cuerpos que abandonan las almohadas
las sábanas los besos

y de pie ante el espejo interrogándose
cada uno a sí mismo
ya no mirándose entre ellos
ya no desnudos para el otro
ya no te amo,
mi amor.

Julio Cortazar

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

uma carta a três amigas

Olá!

Aqui ouvindo Tchaikovski depois de cuidar do jardim, já são oito plantinhas, por enquanto não vi visitas das borboletas, mas tem lagartas... senti vontade de escrevê-las!

Pus máscara de argila no rosto e fui levada pelo cheiro de patchouli a lugares que conheço e sinto saudades... T., K., I....

Senti-me sublime, como se fosse abençoada pelos os percalços que tenho encontrado na vida e privilegiada por minhas amizades! E grata...

T., pela “maezoca” que singularmente reconecta-me com a vida, K. por ter me dado a visão do que pode ser uma mulher chegando aos seus trinta com beleza e determinação e algumas desilusões, o amargo doce como o café que agora preparo aqui e que nós três gostamos, I. pela generosidade nos meus momentos tão profundos e únicos nessa terra de Deus, Fortaleza, e dar com argila várias formas a eles!

T., ontem fiz com uns colegas uma oficina de plantas medicinais, ensaiamos uma metodologia que misturava técnicas científicas, problematizações sociais e mística!
K., o D. contou-me muito feliz da sua gravidez, do bebe que espera! Espero que um dia eu tendo um filho, eles possam brincar juntos!
I., a plantinha que tu plantaste e me deste bem pequenina esta linda, cresceu!
Deus abençoe vocês!
Um beijo grande,
Paula A.
p.s.: uma carta pessoal que por um pedido esta sendo postada no blog.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

alucinação

(loucura ou intuição
em retrato pintado de azul
telepaticamente o cabelo ondulando
a camiseta de algodão colando no corpo
os passos acompanhando por onde ando
sorrindo por detrás de alguns versos

desespero des-amparando
caiu, quase ajoelho(dançando), rezo

é o céu ou o mar
carregando o olhar de arco-íris

nas cores da presença
que as asas de borboleta levantando
Es-face-lou...

no cheiro de café numa madrugada
quando eu chegar e você já não dormir.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

saiu na sua alvura rompendo
as barreiras de concreto
e em tantas leituras
amante dos versos
afastou a amargura
encheu as rescondidas mazelas
fazendo-se lua em todo espaço da terra

quarta-feira, 29 de julho de 2009

rodoviária

a vida embarcando

como chuva despencando

fina na noite frente à luz dum poste

sábado, 18 de julho de 2009

"E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Cheiros íntimos, secretos. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo, No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural. Os animais cheiram uns aos outros. No rabo. O que é que você queria? Rendas brancas imaculadas? Será que amor não começa quando nojo, higiene ou qualquer outra dessas palavrinhas, desculpe, você vai rir, qualquer uma dessas palavrinhas burguesas e cristãs não tiver mais nenhum sentido? Se tudo isso, se tocar no outro, se não só tolerar e aceitar a merda do outro, mas não dar importância a ela ou até gostar, porque de repente você até pode gostar, sem que isso seja necessariamente uma perversão, se tudo isso for o que chamam de amor. Amor no sentido de intimidade, de conhecimento muito, muito fundo. Da pobreza e também da nobreza do corpo do outro. Do teu próprio corpo que é igual, talvez tragicamente igual. O amor só acontece quando uma pessoa aceita que também é bicho. Se amor for a coragem de ser bicho. Se amor for a coragem da própria merda. E depois, um instante mais tarde, isso nem sequer será coragem nenhuma, porque deixou de ter importância. O que vale é ter conhecido o corpo de outra pessoa tão intimamente como você só conhece o seu próprio corpo. Porque então você se ama também."

Caio Fernando Loureiro de Abreu (Santiago, 12 de setembro de 1948 — Porto Alegre, 25 de fevereiro de 1996) foi um jornalista e escritor brasileiro.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Oração do dia treze
que se possam unir as mãos
e nelas embalar mais que uma promessa
aconchego pelo dia que não houve um blue
e que cristalina pela sina se gaste e cresça na visão do jardim
que permita sem medo abraçar o desejo e o chão
depois dum chá de cidreira ou café as cinco sem assombração
e numa caminhada pela treze que benfica como uma peregrinação leve
dê a avistar a torre da catedral surgir atrás de nuvem em sinal(duma aparição da graça e/ou açoite!)

sexta-feira, 3 de julho de 2009

no domingo à noite

a tua grande mão enchia-se de mim

apalpava a coluna percorrendo a curva

repousava a cabeça no teu peito entre silêncio

e nas pernas estendidas a minha se encaixava de lado

era um em dois sem nenhuma impressão de dor do que foi

nem mesmo o som que há pouco era pranto e riso vibrava

como que esquecidos e abençoados éramos dois em um

e a respiração lenta ofegava, parava ofegante...

ecoou como infinito

domingo, 28 de junho de 2009

Um concreto cinza
uma mancha na parede
rachadura nas impressões
toca Hendrix
num dia em que as pupilas se comunicam
deitamos depois do café sem açúcar
mãos dadas lado a lado na cama
ouvindo Hendrix
a gente quer ir a um bar sujo
já estamos um nos braços do outro
sorvo seus abraços mordo seus beijos
dançamos Hendrix

domingo, 21 de junho de 2009

Iansã é de manhã

levando a sede não saciada

com ventos a noite mal acordada

rompendo com claridade a madrugada

cobre os cabelos com estrelas não finadas

e os homens que levantaram com a liberdade

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sem os abraços um arco no ar
afago em sonho

as mãos deslizam no sono
pousando entre as coxas quentes
e a aurora na rede avança balançando o encaixe

do repouso que em passos de saudade toca os seres
despertando-os na busca de se unirem em uma só criatura

domingo, 7 de junho de 2009

descobriu no caminho uma rua com árvores
passar sob aquelas sombras, agora, era a sua única cousa
levava na mochila vários trabalhos a concluir e na sacola um pacote de pão
sem desejos as ansiedades não a torturavam nesse instante
esquecida da agitação da temperatura usava os cabelos soltos
e todo corpo estava à vontade mergulhado na maciez do vestido já bem usado
nesse tempo ela não tem raiz não há saudade e nem sequer uma amargura
sente-se solta sem pender do alto de um pensamento
nada de amores ou dinheiro a colhe ela conquistou o momento
quieta em passos quase lentos descendo a rua com jardins
as folhas parecem silenciosas sacudidas pela brisa
ela olha os lados e não se encolhe não há dúvida que a atormente
ela só aquela rua com poucos movimentos

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Prefeito e bombeiros na cidade alagada armam circo
para o governador brincar de Deus ou rei entre plebeus
assim na hora do pão há doação de cesta entre desvalidos

E entre os sem abrigos Chico chora
fim do Francisco o perdido não procurado
filho afogado no rio Acaraú ou de Cocal do Piauí.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

amor moderno ou
uma viagem massa ou
uma droga de amor

um coquetel de “saúde”
uma gotinha de lealdade
uma bandinha de saudade
um quartinho de felicidade

domingo, 17 de maio de 2009

domingo de manhã

a alvorada é espreguiçadeira

o sol o espirro da cuzcuzeira

sexta-feira, 15 de maio de 2009

insônia
palavras cruzadas na rede
conecto com um Caio F. Abreu
jogo-me na cama em roupa de dormir
fotografando na penumbra
uma história de amor (que já morreu?)
dispo devagar a cortina desse conto
pra não acordar com as letras entaladas na garganta
da noite estranha

terça-feira, 12 de maio de 2009

Poemeto erótico

Em cima do corpo
o outro quente
atrito contraindo
único espaço no momento
músculos lábios vê-nus

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Nossa seara não é superfície

nem se perdia em subjetividade

sertão de passo fundo, sítio ben-fica, ceará ou piauí

não se diria que vai morrendo aos poucos

alagamento desabamento, ondas funestas.

Teu pouco e meu re-pouso avesso de latifúndio

na tarde cai nuvens nos olhos

e o forte também chora de descuido

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Insustentabilidade
transbordante no morro
o capital devorando o globo
a água arrastando fatos e foto
e o menino brinca com o barro molhado
na umidade da casa o nariz escorre
fora não há espaço pra pobre
crescer entre lixo e esgoto
água enchente dos olhos
sertão virando mar
arrepios no ar
é sinal...

terça-feira, 28 de abril de 2009

dona Teresa rezadeira da vila união apareceu-me

e com rama de arruda na mão

disse-me que quem ama sabe pedir perdão

quinta-feira, 23 de abril de 2009

paradoxo

quando o marginal me puxa
a lesma me comove
lótus rebenta no lodo

quarta-feira, 22 de abril de 2009

contração dos músculos
embalos na quintura do meio-dia, passarinhos
sábado à tarde inteiramente compartido
acomodação de qualquer gosto de sangue entre as salivas

adoço com café que gostamos como das cousas e-ternas do universo
um rosto familiar atrás da vitrine, esperando o fim de meu serão
pelas ruas avisto na esquina, o grito, indizível
abrigo em blue se-quer, feliz

abraço deliberadamente todo o jardim

ao partir, repartidos inunda linhas de rascunhos
devorando nossas cegueiras
falsifico uma fome
encontro orgasmos numa noite vazia sob fendas nos pés desatinadas...

a teus pés amarga vigília e sutileza leal de espinhos que contem a água

vago pela casa com uma velha estampa, tow in
e cuido de por pra dormir
faço um lambe-dor
e dou liberdade ao passante

segunda-feira, 13 de abril de 2009



Sentir a ausência dilacerando

Compleição do cotidiano afastando-se,

As gotas correm quentes na pele

Cortando a carne,

No rasgo de saudade,

Esse estrago anestesiando o peito,

Lateja em soluço não velado

Mais saudade perdida pela casa

De compartilhar anseios e defeitos,

Cama, café e chuveiro

Atordoa-me

E na madruga me assalta o desejo

Corro insone, sonâmbula, sonhante pra teus beijos

Pálido e abatido você não nega interesse,

Recrimina minha nudez na poesia,

Perto dela e longe de você,

Sou intensa e breve

Você quase mente e tenta esconder-se, um pouco,

Mas eu sinto...

Sufocados de se querer e de angústia

Te atraio e você me busca

Desliza a língua por meu corpo

Contorço-me e me mordo

Segura meus cabelos nas mãos,

Fixa meu rosto

Cálido beijo

O teu pulsar nas minhas veias

Consumimos o imaterial,

Os gastos e restos se misturam

Penetrações que nos funde em uma só criatura

Ofegante sou quase muda

E as letras me evaporam

Silenciada pelos teus lábios e sussurros

Bebo na tua boca gemidos,

Regogiza-me teu prazer indescritível,

A gente explode de tesão,

Em gozo infinito

Não há no mundo quem te faça sentir assim

A não ser eu,

Cheio de ternura meus olhos úmidos fitam os teus

Que me perguntam: o que foi

Enquanto seu braço me aninha no peito,

Aspirando teu cheiro

Ponho teu pijama

E tiro nosso ar mais uma vez...

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Fico quieta.
Não escrevo mais. Estou desenhando numa vila que não me pertence.
Nao penso na partida. Meus garranchos são hoje e se acabaram.
"Como todo mundo, comecei a fotografar as pessoas à minha volta, nas cadeiras de varanda."
Perdi um trem. Não consigo contar a história completa. Você mandou perguntar detalhes (eu ainda acho que a pergunta era daquelas cansadas de fim de noite, era eu que estava longe) mas não falo, não porque a minha boca esteja dura. Nem a ironia nem o fogo cruzado.



Tenho medo de perder este silêncio.
Vamos sair? Vamos andar no jardim? Por que você me trouxe aqui para dentro deste quarto?
Quando você morrer os caderninhos vão todos para a vitrine da exposição póstuma. Relíquias.
Ele me diz com o ar um pouco mimado que a arte é aquilo que ajuda a escapar da inércia.
Outra vez os olhos.
Os dele produzem uma indiferença quando ele me conta o que é a arte.
Estou te dizendo isso há oito dias. Aprendo a focar em pleno parque. Imagino a onipotência dos fotógrafos escrutinando por trás do visor, invisíveis como Deus. Eu não sei focar ali no jardim, sobre a linha do seu rosto, mesmo que seja por displicência estudada, a mulher difícil que não se abandona para trás, para trás, palavras escapando, sem nada que volte e retoque e complete.
Explico mais ainda: falar não me tira da pauta; vou passar a desenhar; para sair da pauta.

Estou muito compenetrada no meu pânico.
Lá de dentro tomando medidas preventivas.
Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro. Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido de você e não me assusto; dorme, dorme.
Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.


Ana Cristina César

sábado, 4 de abril de 2009

sou dada a absurdos

vejo almas

vultos pela casa

intensidade pedindo perdão

arrasto de um clarão

sou dada a absurdos

só sei me dar com amor

invada a doce tara

ou a decência de conveniências

não fecho os olhos

vejo um lago agora

blue e classicismo

extremo enigma no piano


Hero tocando guitarra

segunda-feira, 30 de março de 2009

********


na cama ao lado
frente ao espelho
de manhã escapa saliva opaca
tarda um cochilo com gastrite
nada de mãos nem uma conversa fiada
avança em gotas salgadas
madrugada rompendo
nas calçadas da cidade
filetes de sangue,
a-deus.



**** ***

quarta-feira, 25 de março de 2009

acordei sentindo
a saudade imprimindo
cheiro no dia

klimt

segunda-feira, 23 de março de 2009

A cama descoberta

molha de saliva

intumesce

as janelas abertas

mergulha em cegueiras

do suor ma-cio

oh! blue que estremece...

quarta-feira, 18 de março de 2009

mais um traço, um poro aberto
o consentir do partido
modelar com o acaso
o que foi quebrado

não o vejo
quando à toa
não cheirei cola na esquina
não caí bêbada no mercado
nem te pedi um trocado

nem amor roubei
não vale um conto sequer
parti pra o mundo
e se achega as voltas brincando

já que me enganei com alguns bocados
longe do julgo dos miseráveis
sem as farsas, perdi
e ganhei mais umas nobrezas na minha face

não o vejo
e admito sou talvez piegas
fome é fome sem reverso
varrida as migalhas das entrelinhas

ardo em labaredas
e deslizo feito seda
ao toque dos dedos
ou prendo a respiração
se o estímulo for doloroso
e permito que continues

não o vejo
em meio aos versos de escárnio
e aos tristes, bregas ou blasé
que divagam e não se acham
aos que consentem e se consome
morrendo de fome
e aos tímidos e arredios
que pincelam com profundidade

suporto até algumas obcenidades
o que não suporto é gente meio puto
e esse tal de sucesso
ufa

olho pequenas,
simples botões abrindo,
velhas virando novas que vão ficando velhas
nuas de pudores que desprezam
arrebatadas de valores
e translúcidas de desejo.

mulher ao espelho - sara

terça-feira, 17 de março de 2009

as coisas antigas guardei numa caixinha
algumas novas na fantasia
do guarda-chuva a vontade de molhar
na sombra de sorrisos
nos pés na areia a fineza de estar alheia
sob o olhar de passarinho

segunda-feira, 16 de março de 2009

levei um soco no estômago
quase agora desmontei
quando me toquei
faz há tempo eu sei
que foi ontem
e me tocou P.J. Harvey
oh Laiz, um dia de sufoco que me tomou
alguns estribilhos que desceram escada abaixo
dos muitos que ainda rebuliçam aqui

http://www.youtube.com/watch?v=iO9tA8-kbk8&feature=related

domingo, 15 de março de 2009


link:
http://saravaclub.blogspot.com/2007/11/pomba-gira-beats.html

sábado, 14 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009


gosto do acaso e do gasto
não de comprimidos
nem de lata cheia de prata
cansei de psicanálise
consentir um futuro de sucesso
encapsular a trajetóriar
comprimir encontros
no meio de pernas quaisquer
e de repente mais tarde no MSN
competir por desencontros
cansei de dores e comprimidos
de tentar comprimir a fé
no divã e na igreja
ou com a cara cheia
cansei de tentar comprimir o amor e deus
pra ser mais feliz
que saco
engasgou, não desceu
nem um nem doce vai aqui
ainda não digeri o pós moderno
doses individualizadas de ser gente
e minha lata esta cheia de prata
pensei em encapsular a historia
sem dor nem lembrança
mas não sou boa de química
não encontrei a fórmula
fudeu

segunda-feira, 9 de março de 2009

Começo pelo chão
ir embora
e não se demora
nem linda nem vã
cheia de raiz
mudo não só a terra
fecho as portas pra a maioria das mediocridades
que se é capaz alguém que não se quer
deixo as penas de si
e do que se fez passado
levo intacta a essência marcada

Arranco com paixão
erva daninhas que querem sufocar
toxinas do meu corpo
sem pena e humilhação
e extraio perfumes

Agora, preciso de explosão
eu mando tudo embora
quero que vá
quase agora me desprendi
arrebatei-te com o cheiro
e ainda conservo uma ira
lembranças e saudades
cartas e fotos que talvez leves
que seja eu também memória,
apesar de ser pouco velhas estórias

Não gritarei socorro
nem adeus pra quem se calou
eu sou forte
e rosas não nasceram pra serem machucadas

Vai embora jardineiro
apesar de chorar quando sinto teus passos se afastando
e a terra cedendo
te deixo as cores que sou eu

Eu irei com algumas notas que deslizam sutis
e secam o estômago
sairei da terra sem outro nome
tenho minha oração
e um desinteresse pelo piso de antes
sem fogão e amantes
eletrodoméstico ou um fraco homem
ou cama cheia de lembranças
o coração amante de criança
que não será tão ingênuo
aprofundado pelas rugas de agora e antes
a marca do balanço
do teu pedaço aqui
e do meu pulsando aí
o aconchego aos travesseiros
na boca sabor de outra saliva
a fantasia no meio de outras pernas

eu irei embora
Ah do que irei aprofundar nos meus olhos, hoje
Jamais será livre de novo
Libertos de serem teus

Findo enigma que sacia uma sede.

domingo, 1 de março de 2009

Ah que hoje estou no samba
Vou fazendo um cafezinho
E dançando pela cozinha
Tem chuvinha fina na janela
E meu pé de hortelã ta ficando bonito
Eita sertão danado de bom
Tá no tempo do milho verde
Vou comer cozido e na canjica
Agora, foi que estou acordando
E vou até a janela enrolada no lençol
Olhar o dia e o jardim aqui de frente
Vou andar lá de bicicleta com a amiga
Um livro na garupa
Vento batendo no rosto
Rindo alto pra espantar o mau olhado
E se o pranto mais tarde rolar
Farei um desabafo com uma prece
Vou cuidar da saudade com o beijo do meu cotidiano
Entregue a essa bênção de cidade
Vivendo essa vida boa
E sonhando com meu amor.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Liberdade
Liberta-me do mundo
Das tiranias dos homens
Liberta-me do medo e da fome
Da aspereza de nomes
Do fantasma do escuro,
Ser humano,
Suavidade além de dureza,
Liberdade
Seu limite em si
Consciência de consentir consigo,
Sua verdade.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Profundamente transcendental

Fundo do mar
No meio do escuro
Há de se transar uma luz
Além do etílico, comprimido
E de nossa dor,
Pois que há na minha retina um enigma
Que desvenda você,
E na tua clara felicidade
O meu cotidiano indefinível
Numa grande história,
Felicidades e estragos
Que nos levam pra o mar absoluto
Ou a algo gélido quando se fala perdido...
Enxergar na escuridão
Nem sempre foi do teu feitio,
Mas como não há truques,
É transcendental,
No por do sol minhas lágrimas haverão de iluminar,
Sorrisos tranqüilos consentiram que fosse alcançar,
E na noite ofereço-te o brilho das estrelas do caminho,
Mais tarde o meu leito quente,
Mas isso, hoje, me faz sentir um peso,
Da embarcação pesada que esta a me aportar,
No entanto, definida está a direção,
Contigo acender uma chama.
Exercer sem fantasia,
Ser porto.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Mais do que só se finda gastando

Inerente alimento de sofrer,
Corte profundo
Ato de agonia,
Vontade de devorar o dia,
Dores letais da paixão
Reparo de um crime de traição
Dissabor da carne fria,
Findam-se gastando.
O que assim não tem fim,
Não se compra nem vende,
Mais dar e receber
Além de jóias e comodidade,
Mais que vaidade,
Que a dor de perder,
Que a marca caleidoscópica
Que fortalece ou embrutece o ser
Mais que ânsia por esquecer
E o próprio sutil esquecimento
Instinto de viver
Mais que jogar os dados
Que a recusa de conta a pagar.
Entrelaçar vidas,
É pacto de sangue
E sumo de energia.

sábado, 7 de fevereiro de 2009


Estou mais ensolarada
Menos lua
E ainda continuo a espera sua
De um amor que seja mais que a promessa
Tenha a coragem de permanecer, crepuscu-lar
Que diante do tédio invente um passo de dança
E do ódio reinvente a vida
Sem se deixar morrer completo,
Pois eu espero...
Hoje a forma mais amativa de tê-lo
E o quero até quando estivermos antigos!
Eu sei, aí ainda pulsa
O encanto de amar
Na espera que nada mais é
Que escutar o silêncio
Que se ausenta
A despertar, mas amante ainda...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Planejamento participativo

Na verdade difícil é tocar
Nas raízes profundas
Compreender no fundo o que foi
E que afundando não voltou,
Emergindo voou,
Há de se mudar
E em si perder e ganhar
No limite,
Sem culpa.
Se deste completo
E sentiu-se impotente,
Não andaste só,
Havia o abraço o tempo inteiro
Que não enxergou,
Se sonhando foi incompleta
Não que houvesse sido irreal o sonhar
É que toda sendo sentimento
Jamais aceitou o esquecimento.
Nasceu assim na dor a ousadia
E a esperança,
Edificação de mais um dia,
Mesmo partindo
Quando resolvi ficar
Chegamos a um lugar,
Unimos sempre gênios singulares
Que sendo gêmeos, arriscando morar na sobra e luz
São complementos nas idéias e ondas de amar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009


Pra falar em ternura
É que pensei nos versos
Em meio a tantos que escrevi
-Amor,
E fiz uma receita,
Sem quantificar,
De coisas que sinto
E não sei nominar,
Presente de saudades,
Pra ti dar de
Um sorriso,
A forma de encantar que não passou,
Um lenço ou lençol,
O perfume que nem o tempo apagou,
A camiseta velhinha,
A maciez da presença antiga,
Um cheiro de mar,
O jornal amassado pelo vento,
Uma saudade,
Um rebuliço do que não se foi,
Uma oração,
Arte fina e simples
De nos encontrar,
Uma fome ao meio-dia
O alimento das minhas mãos,
Um cochilo,
Corpos cruzando o fim
E o infinito...
Acordes musicais e letras de introspecção
Nosso café com leite
No final da tarde.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Posso sim amargar um tanto,
Sentido por romper,
Hoje, até acusar-te de quebrar
A lealdade que também estava em teu poder
Leal-idade de andar por um tempo
Com nosso sofrer,
Não de correr
Com esse pedaço de nada,
In-sensatez de deixar morrer
Matar metade do querer.
Andar partido,
Chutando cacos pelas ruas,
É mais que poder
Passear por uma construção de ilusão.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Quero fazer par com você
Pra dançar o carnaval
Mesmo que não pules
Eu brinco
Enquanto vais colocando um menino nos ombros,
E pra me amar também fraternalmente
Por que veja lá que não sou de ferro
E posso adoecer
Então você que gosta de me trazer um disco
Faz também uma comidinha que eu irei derreter
Pra gente dormir sonhando,
Nas suas longas viagens eu orando
E pedindo a Nossa Senhora
Pra te proteger e que te traga logo de volta
E se houver pesadelos
A gente aperta as mãos
Ou dormi no telefone balbuciando:
Amor, eu tive medo.
Ah e nos dias que se demorares demais a chegar a casa,
Eu provavelmente estarei uma fera,
Então dê lá seu jeito de reparar nosso jeito de viver
Sem dizer que dessa guerra e paz já se cansou
Ah e pode ter certeza que apararei teus erros e defeitos
Com silêncios e aconchegos,
Ah amor escuta-me a essência da vida é luta
E é tão gostoso viver com você.

sábado, 31 de janeiro de 2009

O nosso sexo me cái
Como um bicho-gente
Corpo, carne, fantasia
O quarto fica completo,
Coragem de libertar manias
Um empurrão na sensibilidade
Desejo de tê-lo
E amá-lo demais por inteiro.
Assim como a noite
Abraça meu corpo
Afaga os pensamentos
Acalenta os olhos
O raiar do dia
Cresce nas minhas retinas,
Encanto de aurora,
Invade minha ausência.
Amar inunda meu ser,
A liberdade é o mar
E o cheiro de maracujá
Que se encontra dissolvido
Nos lençóis e nas ondas do meu lar.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pode o tempo me roubar a beleza
Os anos a segurança dos passos,
E a força da minha mente
Pode o homem me roubar
A vontade de viver mais um dia
Um tanto de orgulho
Pode até o mundo me tirar o futuro
Mas nada, nada
Tira-me a liberdade,
Rouba esse meu jeito de amar
E ser poesia.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Pequena


Amar foi um dia
O cotidiano em poesia.
Assim raiou:
Te apressas para o trabalho
Continuo na cama
Sonhando preguiçosamente derramada
Como os raios da aurora,
Na minha boca o cheiro de café
Lembra-me que sou única,
Apesar, de também ser você
E você se foi no silêncio
Ficaram as carícias não sentidas
Que sopro para que o vento e a poesia te leve
E tragam de volta
Seus passos firmes de outrora
Suas noites de sono, minha companhia,
De sonhos que compartilho,
De um dia em que talvez vá ver
Teus olhos quietos e ternos
Sem a angústia de se saber perante o mundo,
Teu ser tocado pelo amor profundo
Que transforma em bálsamo suor, lágrima e saliva
Fazendo da com-paixão a onda em que te balanças comigo
No sentir sem fim ou porque,
Pois é em si mesmo o fim, amar sem fim
Gozo pleno sem morrer,
Sem ser preciso dor pra continuar viver
Da separação pra ter grande valor
Despedir-se mais cedo
Por medo de viver
Nem de perdão pra poder renascer
E se sofrer, há os aconchegos na rede
E quem sabe harmonia...
Amor meu, patrimônio i-material do meu viver
De passado, presente, do perdido, agregado e vivido
Por amar transformo meu ser, vivo!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Deixo que a chuva do Nordeste
O cheiro do café, leves
E vá buscar
No humanamente divino silêncio
Ao dado desamor que se dá.
Se formas muitas vezes não sei de amar
Deixo-me sublinarmente como vento cantar
Para que seja sublime meu calar
Doce forte modo de cultivar.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009


SE A PAIXÃO DESINTEGRA
PODE O AMOR MORRER
TAMBÉM ACONTECE
DE ENTRE A CHUVA E O SOLUÇO
RENASCER,
POIS O SOLO MARCADO PELA FATALIDADE
PODE SER ESTÉRIL
COMO PODE A DOR SER ADUBO, FÉRTIL.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Convidou-a a entrar
Cheia de esperança ela adentrou
Oh e ela caiu,
Será que Deus brincou
Quando avisou que tivesse paciência?
Ou o céu estava vazio?
No peito dela há perfumes
Das pétalas que encontrou
No vazio é que nada há
Além de nada e dor.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

A música que lembra você
Esta dentro de mim
Aflora na pele,
Unida ao vento, toca
A natureza e seus mistérios
Ficam mais belos
A vida que às vezes parece vã
Seus limites são mais ternos
Eleva a Deus, amor.