segunda-feira, 30 de março de 2009

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na cama ao lado
frente ao espelho
de manhã escapa saliva opaca
tarda um cochilo com gastrite
nada de mãos nem uma conversa fiada
avança em gotas salgadas
madrugada rompendo
nas calçadas da cidade
filetes de sangue,
a-deus.



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quarta-feira, 25 de março de 2009

acordei sentindo
a saudade imprimindo
cheiro no dia

klimt

segunda-feira, 23 de março de 2009

A cama descoberta

molha de saliva

intumesce

as janelas abertas

mergulha em cegueiras

do suor ma-cio

oh! blue que estremece...

quarta-feira, 18 de março de 2009

mais um traço, um poro aberto
o consentir do partido
modelar com o acaso
o que foi quebrado

não o vejo
quando à toa
não cheirei cola na esquina
não caí bêbada no mercado
nem te pedi um trocado

nem amor roubei
não vale um conto sequer
parti pra o mundo
e se achega as voltas brincando

já que me enganei com alguns bocados
longe do julgo dos miseráveis
sem as farsas, perdi
e ganhei mais umas nobrezas na minha face

não o vejo
e admito sou talvez piegas
fome é fome sem reverso
varrida as migalhas das entrelinhas

ardo em labaredas
e deslizo feito seda
ao toque dos dedos
ou prendo a respiração
se o estímulo for doloroso
e permito que continues

não o vejo
em meio aos versos de escárnio
e aos tristes, bregas ou blasé
que divagam e não se acham
aos que consentem e se consome
morrendo de fome
e aos tímidos e arredios
que pincelam com profundidade

suporto até algumas obcenidades
o que não suporto é gente meio puto
e esse tal de sucesso
ufa

olho pequenas,
simples botões abrindo,
velhas virando novas que vão ficando velhas
nuas de pudores que desprezam
arrebatadas de valores
e translúcidas de desejo.

mulher ao espelho - sara

terça-feira, 17 de março de 2009

as coisas antigas guardei numa caixinha
algumas novas na fantasia
do guarda-chuva a vontade de molhar
na sombra de sorrisos
nos pés na areia a fineza de estar alheia
sob o olhar de passarinho

segunda-feira, 16 de março de 2009

levei um soco no estômago
quase agora desmontei
quando me toquei
faz há tempo eu sei
que foi ontem
e me tocou P.J. Harvey
oh Laiz, um dia de sufoco que me tomou
alguns estribilhos que desceram escada abaixo
dos muitos que ainda rebuliçam aqui

http://www.youtube.com/watch?v=iO9tA8-kbk8&feature=related

domingo, 15 de março de 2009


link:
http://saravaclub.blogspot.com/2007/11/pomba-gira-beats.html

sábado, 14 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009


gosto do acaso e do gasto
não de comprimidos
nem de lata cheia de prata
cansei de psicanálise
consentir um futuro de sucesso
encapsular a trajetóriar
comprimir encontros
no meio de pernas quaisquer
e de repente mais tarde no MSN
competir por desencontros
cansei de dores e comprimidos
de tentar comprimir a fé
no divã e na igreja
ou com a cara cheia
cansei de tentar comprimir o amor e deus
pra ser mais feliz
que saco
engasgou, não desceu
nem um nem doce vai aqui
ainda não digeri o pós moderno
doses individualizadas de ser gente
e minha lata esta cheia de prata
pensei em encapsular a historia
sem dor nem lembrança
mas não sou boa de química
não encontrei a fórmula
fudeu

segunda-feira, 9 de março de 2009

Começo pelo chão
ir embora
e não se demora
nem linda nem vã
cheia de raiz
mudo não só a terra
fecho as portas pra a maioria das mediocridades
que se é capaz alguém que não se quer
deixo as penas de si
e do que se fez passado
levo intacta a essência marcada

Arranco com paixão
erva daninhas que querem sufocar
toxinas do meu corpo
sem pena e humilhação
e extraio perfumes

Agora, preciso de explosão
eu mando tudo embora
quero que vá
quase agora me desprendi
arrebatei-te com o cheiro
e ainda conservo uma ira
lembranças e saudades
cartas e fotos que talvez leves
que seja eu também memória,
apesar de ser pouco velhas estórias

Não gritarei socorro
nem adeus pra quem se calou
eu sou forte
e rosas não nasceram pra serem machucadas

Vai embora jardineiro
apesar de chorar quando sinto teus passos se afastando
e a terra cedendo
te deixo as cores que sou eu

Eu irei com algumas notas que deslizam sutis
e secam o estômago
sairei da terra sem outro nome
tenho minha oração
e um desinteresse pelo piso de antes
sem fogão e amantes
eletrodoméstico ou um fraco homem
ou cama cheia de lembranças
o coração amante de criança
que não será tão ingênuo
aprofundado pelas rugas de agora e antes
a marca do balanço
do teu pedaço aqui
e do meu pulsando aí
o aconchego aos travesseiros
na boca sabor de outra saliva
a fantasia no meio de outras pernas

eu irei embora
Ah do que irei aprofundar nos meus olhos, hoje
Jamais será livre de novo
Libertos de serem teus

Findo enigma que sacia uma sede.

domingo, 1 de março de 2009

Ah que hoje estou no samba
Vou fazendo um cafezinho
E dançando pela cozinha
Tem chuvinha fina na janela
E meu pé de hortelã ta ficando bonito
Eita sertão danado de bom
Tá no tempo do milho verde
Vou comer cozido e na canjica
Agora, foi que estou acordando
E vou até a janela enrolada no lençol
Olhar o dia e o jardim aqui de frente
Vou andar lá de bicicleta com a amiga
Um livro na garupa
Vento batendo no rosto
Rindo alto pra espantar o mau olhado
E se o pranto mais tarde rolar
Farei um desabafo com uma prece
Vou cuidar da saudade com o beijo do meu cotidiano
Entregue a essa bênção de cidade
Vivendo essa vida boa
E sonhando com meu amor.