domingo, 28 de junho de 2009

Um concreto cinza
uma mancha na parede
rachadura nas impressões
toca Hendrix
num dia em que as pupilas se comunicam
deitamos depois do café sem açúcar
mãos dadas lado a lado na cama
ouvindo Hendrix
a gente quer ir a um bar sujo
já estamos um nos braços do outro
sorvo seus abraços mordo seus beijos
dançamos Hendrix

domingo, 21 de junho de 2009

Iansã é de manhã

levando a sede não saciada

com ventos a noite mal acordada

rompendo com claridade a madrugada

cobre os cabelos com estrelas não finadas

e os homens que levantaram com a liberdade

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sem os abraços um arco no ar
afago em sonho

as mãos deslizam no sono
pousando entre as coxas quentes
e a aurora na rede avança balançando o encaixe

do repouso que em passos de saudade toca os seres
despertando-os na busca de se unirem em uma só criatura

domingo, 7 de junho de 2009

descobriu no caminho uma rua com árvores
passar sob aquelas sombras, agora, era a sua única cousa
levava na mochila vários trabalhos a concluir e na sacola um pacote de pão
sem desejos as ansiedades não a torturavam nesse instante
esquecida da agitação da temperatura usava os cabelos soltos
e todo corpo estava à vontade mergulhado na maciez do vestido já bem usado
nesse tempo ela não tem raiz não há saudade e nem sequer uma amargura
sente-se solta sem pender do alto de um pensamento
nada de amores ou dinheiro a colhe ela conquistou o momento
quieta em passos quase lentos descendo a rua com jardins
as folhas parecem silenciosas sacudidas pela brisa
ela olha os lados e não se encolhe não há dúvida que a atormente
ela só aquela rua com poucos movimentos

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Prefeito e bombeiros na cidade alagada armam circo
para o governador brincar de Deus ou rei entre plebeus
assim na hora do pão há doação de cesta entre desvalidos

E entre os sem abrigos Chico chora
fim do Francisco o perdido não procurado
filho afogado no rio Acaraú ou de Cocal do Piauí.