sábado, 31 de dezembro de 2016

O MENINO SERENO E A SEMENTE
Era uma vez uma semente levada pelo vento até os areais de um quintal da casa onde morava um menino chamado Sereno. Sereno gostava de brincar com os bichos e conversar com as plantas, sonhava que os ouvia. Então um dia sentado no quintal a remexer nas pedras e conversar com os cravos , rosas e manjericão observou a semente ali no meio, sem germinar.
Sereno ficou encantado com aquela semente diferente de tudo o que ele já havia encontrado pelo seu caminho como que perdida por ali. Seria venenosa? Ou só fruto de uma planta audaciosa que inventou de ser colorida? Então resolveu estudar uma forma de cuidar dela. Como planta-la? Deveria regar todos os dias?
Foi pedir a ajuda , mostrou a semente, que tinha um formato que era entre redondo e oval, várias cores como um arco íris a um senhorzinho mestre em cuidar de plantas.
Ele então explicou a Sereno:
Menino, essa semente vem de muito longe provavelmente trazida pelo sopro de um forte vento. Ela precisa ser cuidada para germinar, sendo plantada perto de um rio, pois só a água abundante irá fazê- la crescer forte no meio da natureza.
Sereno, não queria perder sua semente tão rara e ficou triste pensando como poderia planta-lá no seu quintal pra nunca sair de perto dela. Afinal, o rio era do outro lado da cidade. Resolveu guardar a semete no seu bolso e esperar mais um dia.
A noite caiu, e ele dormiu embalado pela luz da lua e cantoria dos grilos, com a semente no bolso do pijama, perto do coração. E sonhou uma pequena árvore que lhe dizia para plantar a semente na beira do rio que ela se transformaria em uma árvore forte e cheia de frutos saborosos com muitas sementes coloridas que dariam muitas outras lindas árvores colorindo o lugar onde moravam.
Ao raiar do dia o galo cantava. Os pais de Sereno já preparavam o café da manhã
com frutas e pães quentinhos. Ele despertou com o som e o cheiro bom. Viu seu pijama que de branco ficou colorido de tinta que a semente soltava. Assim que levantou lembrou se então logo do sonho. E assim que tomou seu café resolveu a partir para o rio, convidou os pais, já que era domingo, a irem fazer um picinic na beira do rio. Os pais acharam uma ótima idéia, prepararam uma cesta com as frutas e bolos e se foram todos juntos.
Muito feliz levava sua semente cuidadosamente sempre pensando no sonho que havia tido. Resolveu contar para os pais mostrando a sementinha que aguardava ser plantada. Disse a eles que queria que a semente desse os frutos que estava destinada a dar. Então havia se decidido pelo bem da semente planta lá no rio. Seus pais ficaram felizes com a decisão acertada do menino e ajudaram na missão.
Mas Sereno após o passeio voltou para casa pensativo, talvez saudade da semente que ficou.
Os pais a consolaram, irão ver a semente já já desabrochar e daqui a alguns anos seria uma frondosa árvore a dar sombra e frutos.
E assim aconteceu. Anos depois Sereno tomava banho de rio e brincava debaixo da sombra da árvore que muito em breve ficaria cheia de frutos deliciosos, pois crescia como ele e seus amigos.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Quando a chuva chegou no sertão e a primeira gota que caiu rachou o chão de onde nasceu uma flor.
Que desabrochava dia após dia a mercê do inverno que se fazia. Inverno no sertão era a festa da fauna e da flora. Os bichos se animavam e as plantas cresciam e floriam. Havia festejos pra comemorar a chegada da estação com comidas típicas que eram pratos esperados o ano inteiro e tinham nome indígena: canjica, pamonha, muncunza, beju de mandioca. Tudo uma delícia.
Pois bem, nossa plantinha do começo que ficara um pouco esquecida, a flor, um dia foi encontrada no meio do bosque por um menino que gostava de dar longos passeios. Ficou entusiasmado e achou de levar sua prima Clara, que tinha vindo da capital passar os dias de férias, para ver, ela ficou encantada e do lado resolveu estender a tolha e fazer um lanch . Sereno e Clara, resolveram construir um castelo com a areia úmida da chuva, depois criaram bolos de brincadeira que tanta calda de areia que o bolo parecia mais um morro. Ao redor da flor criaram um parque que tinha uma amarelinha que riscaram no chão com um graveto, desenharam também um lago, nuvens e a chuva pra encher o laguinho de água e regar a sua estimada amiga, pois já tinham se afeiçoado a ela e a contavam como se fosse a Dona Flor, uma vizinha estimada e generosa, pois que embelezava o lugar onde haviam nascido, resolveram chamar esse lugar de Jardim Secreto. Tinha tanta beleza no Jardim que as borboletas vieram sobrevoar, passarinhos resolveram cantar por lá. Com as chuvas até um lago de verdade se formou perto e com tanta graciosidade e amor o Jardim Secreto os encantou, todos os dias os dois iam pra lá. Mas então chegou o fim das férias e a hora de Clara despedir se . A menina ficou com o coração partido, mas que voltaria nas próximas férias. Todos despediram se de Clara que partiu. O inverno acabou.
 O verão chegou, tão torrencial que o lago logo secou e Sereno triste que ficou deixou de ir ao jardim. A pobre Dona Flor sem os amigos e sem água murchou aos poucos. Assim o Jardim Secreto começou a ficar vazio, passarinhos a voar de lá para outro lugar, as borboletas coloridas principiaram a ficar sem cor.
Dona Flor pedia ao vento que falasse com seu amigo sereno que viesse socorre lá, trazendo água, e seu carinho de volta ao jardim.
Numa noite enquanto o menino dormia o vento balança a galha seca na janela do quarto, a pancada acordou Sereno e o vento soprou pra o menino que Dona Rosa estava em apuros e precisava de sua ajuda, estava a secar sozinha.
Sereno saltou da cama pensando que tinha que ajudar a amiga, pegou seu baldinho e encheu com água e saia a caminho. Lá chegando molhou a planta e deitou se pra descansar ao seu pé, dizia consigo mesmo, oh Dona Flor, volte a ficar viçosa e alegre, no tempo do b r o bro virei todos os dias trazendo água e para conversamos, fique bem que os pássaros voltarão e as borboletas de novo colorirão nosso jardim, em breve a chuva cairá e Clara estará de volta ansiosa para vê-la e pra brincarem juntos no jardim. Conforme foi conversando com a planta que dormia abatida pela falta de água foi também adormecendo.
E quando acordou já era dia. E para sua surpresa a Dono Flor lhe saudou com um bom dia saudável e feliz. Sereno então contente cumpriu a promessa de vir todos os dias de manhã. E assim fez.  Então o encantado Jardim Secreto voltou a ser alegre e colorido. Mais tarde com as chuvas chegaria também Clara e se formaria novamente o lago que se tornaria maior e permanente, pois as chuvas vieram fortes. Ah nesse inverno o Jardim Secreto recebeu novos moradores uns patinhos para no lago nadar.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Tocou o rosto com o olhar
Depois foi embora
Desse lugar
Que bate
E apanha

Coração

quinta-feira, 24 de novembro de 2016


Úmida beijada pelo sereno da noite
Ou ardente tocada por o sol de açoite
Eis que se abre pronta a receber o orvalho,
Lentamente a devorar te,
Carnívora flor.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

pra escapulir na brisa do mar
é só deslizar as mãos no ar
os raios e tempestades é só vento
que sacode as cobertas
é só um dançar de asas amareladas
até fazer dormir como se desmanchasse
as rugas que franziram a testa
na luz fraca da noite
e quando amanhece de pés descalços
é naquele quintal
vai pisando a poeira junto das folhas dos "verão"
quando chega manso ou bravo de sede
um emaranhado no cabelo ou um trejeito
no coração eu colho pétalas pra ti irmão

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

domingo, 6 de novembro de 2016

Um cheiro de chuva
E as gotas saltam pela janela
Indo molhar os pés dela,
Ah se esses pés fossem raíz
Nasceria um pé de menina
Tão bonita de ser mãe,
De nela nascer frutas
Para passarinho comer.
E depois menina voar
Na semente que essas asas levar.

sábado, 22 de outubro de 2016

Doninha Do Carmo
Enquanto o cafe vai bulindo
Sobe a agua
Voa o cheiro
E a casa perfumada toma um jeito
De quem adoça o dia
Com o âmago da vida
Esse estalo no fogo
E a cantoria do amanhecer
O meio dia forrado de pão
O sino das seis apitando no fogão
Café com toda gente da terra
Pra ser gente da terra
Na casa onde o fogão
Tinha muito mais que seis bocas
Eram doze, vinte bocas de meninos
E quando o tempo foi correndo debaixo dos cajueiros
As cadeiras tomaram lugar
Nas calçadas da primeira casa de OeirasNOva
Em tanta prosa que o mundo despontava
Como historia dos livros de romance
Da estante sempre disponível na casa da avó
Recheado de bolos um sábado cheio de aroma
De Doninha que dessa obra
Vive como árvore frondosa
Sempre florida de sorrisos
Orvalhada com ohos rasos
Dando sombra a quem passa
Frutificando quem encosta.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

A clareza
Sobrenome da magia
Contrasta com as águas claras
De teu sabor

Uva maga
Que crava de estupor
Essa véspera pouco rara
De um céu travo de rubor

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

A estrada é longa
Do tempo comprido
Andando nessa terra de palha

No colchão sem molas
O fim deita com a solidão
A espera de cumprir um destino.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Castanha e um fruto como feto
Na fornalha colocou o pai
Que a mae amadureceu.
Ah infancia sempre teras esse cheiro
Desse complexo de cajueiro de que viveu.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O cheiro de folha madura
Da terra dura
Flores salpicando o chao
Oregano do sertao
A poeira faz redeminho
Orvalho do calorao
O b r o bro amole as gentes
Da sono quente
Suor correndo nas temporas
Como filetes de sangue
A infancia renova o tempo
Os cajueiros floriram.

domingo, 7 de agosto de 2016

Essa fera
Urra na curva do rio
Vive nas linhas do tempo
Balbuciando quando amanhece
Mulher és tu um oceano de escolha
Ante a ilusão.

À Simone Beauvoir

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A imagem de Santo Antônio me comove muito. Segura, de dar segurança a  um menino, o menino Jesus. Emociona me ao olhar e sentir que Deus o enviou para segurar toda humanidade nos braços cheios de amor, carregar a nós, amando, nós que somos todos umas crianças que não sabemos o que fazemos. Isso nos diferencia de Jesus. Nós mães também levamos nossos filhos, procurando direciona los no amor eterno.  Mas cada criança que somos caminha conforme sua vontade. E a nós só cabe continuarmos a nossa própria vida. Amando que se dá de amar.
A beleza do céu vermelho
Pálida a aurora selvagem
Filhos educados por mulheres
Sua primeira infância é um caracol
Com casca cheia de pontinhos coloridos
Ser arrastado escondido dentro
Ou escalar a parede cheia de trepadeira
Escaldada pelo sol
O que faz florescer internamente
Uma gota caindo no meio do turbilhão 

domingo, 17 de julho de 2016


Um dia a mãe disse
Que só gostava de festa brega
Nesse tempo poucos fugiriam dos salões nobres.
Assimilada a feira de vaidades
Compreende se a sinceridade dela
Festa de fundo de quintal

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Vovó Do Carmo

Ela não curte coisas curtas Poemas rápidos Crônicas nuas Lá vem ela me pega pelo braço Conduz pela sala vamos numa valsa E dispara Lembra do tempo de quando almoçava em cima do fogão de lenha? Tanto menino que o bolo da dispensa só dava por que era maior que nossa infância...A pele enrugada Esse amassado dos vincos onde corre a história Trás de volta chamando pela memória A esse lugar cheio de recomeços chamado vida. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

uni-verso

Somos um todo Cabendo todos em um Ser todos só 
Que seja leve E se não for Que seja ao menos breve

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Salve rainha

A mãe sol é uma estrela gigante, uma bola incandescente que aquece muita vida no universo, ao  seu redor tem estrelinhas que são as cuidadoras da luz e  que levam amor aos planetas de toda galaxia. Um dia uma estrelinha, sua querida, que acabava de nascer, pediu pra descer a terra,onde sentimentos sem brilho estavam por todas as partes. A grande mãe, disse-lhe: vá, mas não se demore, minha estrelinha querida. E para que não sinta frio te aconselho que desça até o Piauí, lá é claro e quente, não sentirás tanto. e assim se fez. Ela desceu. E escolheu Teresina, pois que diziam que era cristalina. Fez muitos amigos. E conquistou o centro da cidade, seu coração. E muito começou a se iluminar com a alegria e coragem da estrelinha, que mesmo nas noites mais truvas teimava em brilhar, nem que fosse com um pouquinho de glitter, purpurina aqui e acolá. Enquanto isso as a rainha solar sentia falta da sua fagulha de fogo no céu. Assim um dia à noite, quando a grande mãe descansava, em Teresina reinava uma festa, gente sorrindo, criança correndo, a grama cantando, havia alguns que tomavam chocolate, tinha pintores de passagem colorindo os ares, o lago vibrava com a onda de energia positiva. A estrelinha estava feliz demais, brilhava como nunca se viu em face da terra. Era noite de junho. Quando a festa acabou e só restou a noite e o brilho longínquo do céu, fez um vento frio e a estrelinha se apagou. O dia amanheceu em Teresina ainda mais quente que de costume, é que a estrelinha voltara pra sua mãe.

domingo, 19 de junho de 2016



Por um grande amor

uma flor se abre na face

pronta para ser acolhida

nas mãos de tantos quanto é suficiente

pra conhecer a escuridão que deixa o fim 

e o disparar das artérias que eleva do chão.
nos encontramos aonde o vento faz a curva

E ele revolve as folhas secas das pedras

sopra em cima da carne viva. 

amor, o grande amor
um lago que faz ondas ao sabor
do Teu sopro.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Há de se temer a vida Como se um lobo te espreitasse Noutras é a morte que aterroriza Esse encontro inevitável com outra sorte. Como se a noite fosse vermelha o coração bole E o sono é uma senhora sem norte Que fareja sândalo. A quem partiu Sõ as flores, A quem ficar O cheiro da noite. Grávida de destino.